A pele / Malaparte, Curzio ; Tradução de Alexandre O'Neill
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TextLanguage: Portuguese Original language: Italian Series: Os Imortais da Literatura Universal ; vol. 46Publication details: São Paulo Abril 1972Description: 369 pUniform titles: - La Pelle
- 853 M237p
Livros
| Cover image | Item type | Current library | Collection | Call number | Materials specified | Status | Date due | Barcode | |
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Biblioteca Professor Eduardo Afonso de Castro Literatura Estrangeira | Ficção | 853 / M237p (Browse shelf(Opens below)) | Available | 2025-17287 |
“Eram os dias da “peste” de Nápoles.”
“A miséria dos tempos, a desordem pública, a grande mortalidade, a avidez dos especuladores, a incúria das autoridades e a corrupção geral eram tais, que, sepultarem cristãmente um morto se tornara coisa praticamente impossível, só permitida a poucos privilegiados. Levar um morto para Poggioreale, num carro puxado por um burro, custava dez mil, quinze mil liras. E como ainda se estava nos primeiros meses da ocupaçção aliada, e o povinho não tivera ainda tempo de ganhar algum dinheiro com os negócios ilícitos do mercado negro, a plebe não podia entregar-se ao luxo de dar aos seus mortos sepultura cristã, de que eram dignos, apesar da sua pobreza. Os cadáveres ficavam cinco, dez e mesmo quinze dias nas casas, à espera do carro do lixo. Decompunham-se lentamente sobre as camas, na quente e fumarenta luz das velas, ouvindo as vozes dos parentes, o ferver da água na cafeteira e da panela de feijão no fogareiro aceso no meio do quarto, os gritos dos meninos que, todos nus, brincavam no chão, e o gemido dos velhos sentados nos vasos, no cheiro quente e persistente dos excrementos, semelhante ao que desprendem os mortos já em plena decomposição.”
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